Com mais de 170 atividades, a edição 2025 do evento reafirma o compromisso da Universidade com a inclusão, o combate ao racismo e a valorização das raízes afro-indígenas.
A FEPE orgulha-se de ser uma das instituições apoiadoras do Novembro Negro da UFMG, iniciativa que reafirma o compromisso com a diversidade, a equidade racial e a valorização das culturas afro-brasileiras e indígenas. Ao apoiar este evento, a Fundação reforça seu papel na promoção de ações que fortalecem uma universidade pública, inclusiva e antirracista, contribuindo para o avanço do conhecimento e para a construção de uma sociedade mais justa.
Durante todo o mês de novembro, a UFMG promove uma ampla programação acadêmica e cultural em celebração ao Mês da Consciência Negra, com debates e reflexões sobre racismo, direito à diferença e valorização das ancestralidades africanas e indígenas. O Novembro Negro, realizado desde 2018, se consolidou como um espaço de diálogo e mobilização em torno das relações étnico-raciais e das desigualdades que afetam as populações negra e indígena.

Imagem: criação Cedecom
A oitava edição do evento, construída de forma colaborativa por estudantes, docentes, servidores técnico-administrativos e pela comunidade externa, tem como tema “Epistemes, estéticas e subjetividades negras”, uma escolha definida por consulta pública, reforçando o compromisso da Universidade com uma educação pública, inclusiva e antirracista.
A abertura ocorre na segunda-feira, 3 de novembro, às 17h30, no auditório da Reitoria, campus Pampulha, com a conferência “Subjetividades negras, entre epistemes e estéticas”, ministrada pelo professor Wanderson Flor do Nascimento, do Departamento de Filosofia da Universidade de Brasília (UnB). Especialista em filosofia africana e afro-brasileira, o docente se dedica ao estudo das tradições brasileiras de matriz africana, das relações raciais e de gênero e das questões de subjetividade e bioética.
Aquilombamento e resistência no espaço acadêmico
De acordo com a pró-reitora de Assuntos Estudantis da UFMG, Licínia Maria Corrêa, desde a primeira edição do evento há um movimento crescente de territorialização negra auto-organizada na Universidade. “O movimento negro sempre esteve presente no espaço acadêmico, nas dimensões do intelecto, do corpo e do espírito. Ocupar a universidade é fundamental, pois ela historicamente foi um espaço de legitimação da branquitude e de reprodução do racismo na ciência e na produção do conhecimento”, destaca.

Licínia ressalta que o Novembro Negro representa uma forma de reconhecimento e ressignificação dos saberes africanos, historicamente apropriados e invisibilizados. “O evento é também uma forma de afirmar a presença negra em espaços que, por muito tempo, negaram sua legitimidade.”
O conceito de “quilombo” permeia as reflexões propostas. A pró-reitora relembra que o dia 20 de novembro, feriado nacional da Consciência Negra, marca a morte de Zumbi dos Palmares, símbolo da resistência contra a escravidão. “O Quilombo dos Palmares demonstrou à sociedade colonial que éramos capazes de construir outras formas de organização social, com autonomia e potência. Hoje, o Novembro Negro é parte dessa continuidade, uma forma contemporânea de aquilombamento – o Quilombo da UFMG.”

Programação diversa e parcerias institucionais
A programação deste ano conta com mais de 170 atividades distribuídas por diversos espaços da UFMG, incluindo oficinas, palestras, debates, apresentações artísticas e rodas de conversa. Uma das ações de destaque é o Café Afro, que antecede a conferência de abertura. “A comida é símbolo de resistência, partilha e conexão. O Café Afro expressa essa força coletiva”, comenta Licínia.
Além das atividades internas, a edição de 2025 amplia sua atuação com parcerias externas, como o II Seminário Internacional Pró-Reparações – Um projeto de nação: diaspórico, popular e panafricanista, de 10 a 15 de novembro. O evento reunirá lideranças internacionais, parlamentares, ativistas e intelectuais para discutir políticas reparatórias voltadas a povos negros e indígenas no Brasil e na diáspora africana.
Segundo a pró-reitora, “a pauta das reparações é global, e o fórum internacional reforça a necessidade de ampliar o diálogo para além dos muros da Universidade”. A programação completa pode ser consultada no hotsite oficial do Novembro Negro.

Trajetória e consolidação do evento
Criado em 2018, o Novembro Negro nasceu como uma proposta da comunidade universitária para refletir sobre a presença e a representatividade da população negra na sociedade e na UFMG. Desde então, o evento vem consolidando uma trajetória marcada por diversidade temática e fortalecimento das ações afirmativas.
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2018 – Reflexões e práticas sobre ser negro
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2019 – Aquilombar-se em tempos de luta
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2020 – Orgulho de ser: enegrecer para renascer
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2021 – Corpos e vozes que se afirmam
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2022 – Permanecer para avançar
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2023 – Ancestralidade e coletividade: aquilombar para permanecer
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2024 – A luta antirracista na UFMG
A edição de 2024 marcou um importante avanço com o lançamento do Banco de Fontes Negras da UFMG, iniciativa do Centro de Comunicação (Cedecom) voltada à ampliação da visibilidade de especialistas e pesquisadores negros.
Via: https://ufmg.br/comunicacao/noticias/em-sua-oitava-edicao-novembro-negro-discute-epistemes-esteticas-e-subjetividades-negras






